Revista – ΙΦ-SOPHIA

O Grupo de Pesquisa Filosofia, Ciência e Tecnologias – IFPR/Câmpus Assis Chateuabriand publica sua primeira edição da Revista ΙΦ-SOPHIA .

Veja o link: http://www.grupodepesquisafilosofiacienciaetecnologiasifpr.com/#!revista-if-sophia/cnv0

Resumo aprovado para o XVI Anpof

Tema: Os conceitos de “técnica” e “tecnologia” em Michel Foucault

Veja o resumo: clique aqui

Educação e Tecnologias

No texto As Tecnologias do Eu (1983) Foucault apresenta quatro tipos de técnicas/tecnologias que são base para a formação das racionalidades práticas:

 

[…] estas técnicas podem ser divididas em quatro grupos, cada uma das quais é uma matriz da razão prática: 1) as técnicas de produção pelo qual podemos produzir, transformar e manipular objetos; 2) os sistemas técnicos de signos, que permitem o uso de signos, os significados, os símbolos ou as significações; 3) as técnicas de poder, que determinam a conduta dos indivíduos, para submetê-los a determinados fins ou dominação, objetivando enquanto sujeito; 4) as técnicas do eu, que permitem aos indivíduos realizar, sozinho ou com a ajuda de outros, um certo número de operações sobre seus corpos e almas, pensamentos, conduta, seu modo de ser, para transformar a fim de atingir um estado de felicidade, pureza, sabedoria, perfeição ou imortalidade (FOUCAULT, 1994, p. 785, tradução nossa).

 

Para o autor, as três primeiras formas já estão presentes nas proposições de Habermas, mas que seu trabalho consistia em mostrar outro tipo de técnicas: as técnicas de si. Sendo que investigar a interação destas técnicas de si com as técnicas de dominação permitem analisar a genealogia do sujeito na civilização ocidental. Desde modo, compreende que essas técnicas/tecnologias funcionam como racionalidades que governam o modo como conduzimos nossa vida.

A relação destas tecnologias com a educação também é mencionada pelo autor. Cada uma destas tecnologias atua modificando a conduta do indivíduo por meio de práticas educacionais que visam adquirir um conjunto de habilidades e também de comportamentos. Assim afirma: “Cada tipo implica certos modos de educação e transformação dos indivíduos, na medida em que não é apenas, evidentemente, para a aquisição de certas habilidades, mas também adquirir certas atitudes” (FOUCAULT, 1994, p. 785, tradução nossa).

Enfim, a pesquisa que desenvolverei este ano visa compreender a relação destas tecnologias com a educação a partir de duas perspectivas: por um lado, as tecnologias de dominação, onde a educação serve como sujeição e, por outro lado, as tecnologias de si, onde a educação pode ser pensada como um meio de resistência/liberdade e constituição de novas formas de existência.

 

FOUCAULT, Michel. Dits et Ecrits IV (1980-1988). Editions Gallimard: 1994. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/187478738/Foucault-Michel-Dits-Et-Ecrits-Tome-4-1980-1988>, acesso em: 04 fev. 2014.

 

Livros da Anpof

Artigo publicado: VANDRESEN, D.S. A Criação de Conceitos em uma Sociedade de Controle: análise da DCE/Filosofia-PR (2008). In: Marcelo Carvalho; Vinicius Figueiredo. (Org.). Filosofia contemporânea: Deleuze, Guattari e Foucault. 1ed.São Paulo: ANPOF, 2013, v. , p. 81-91.

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo discutir as implicações de se conceber a filosofia como criação de conceitos, concepção presente na opção teórico-metodológica das Diretrizes Curriculares de Filosofia no Estado do Paraná. Neste artigo, inicialmente, apresenta-se um resgate da concepção de filosofia deleuzo-guattariana, articulando a ideia de criação de conceitos com vários outros conceitos presentes na obra dos autores, para em seguida, confrontar com a proposta da diretriz de filosofia. Compreender a filosofia como criação de conceitos é pensá-la como atitude de resistência, onde os conceitos criados produzem um deslocamento dos planos existentes. É preciso pensar o ensino de filosofia como contribuição para a formação de um sujeito que se constituia si mesmo, em combate aos planos rígidos que nos constituem.

Fonte: http://www.anpof.org.br/spip.php?article252

I Fórum em Educação do IFPR/Assis

I Fórum: Educação, Leitura e Cidadania.

Palestra com o tema “A Leitura do Mundo”.

Uma reflexão através da relação entre Deleuze, Foucault e Paulo Freire.

A leitura criativa permite novos olhares sobre o mundo.

Para ver os slides: 1_Forum_IFPR_2013

Blog IF ETTec

Conheça e participe deste blog que problematiza a relação Educação, Trabalho e Tecnologias.

http://ifettec.wordpress.com/

Um projeto de pesquisa realizado no IFPR/Assis Chateaubriand, iniciado este ano e que visa discutir a temática por meio do blog.

Tragédia e Filosofia

Assim como em Édipo Rei, a história de Íon de Eurípedes começa no templo de Delfos. A história é o relato da busca de Íon pela história de seu nascimento. Como no texto de Sófocles, o conhecimento de sua origem é condição política para governar com legitimidade. É preciso conhecer a si como indica a inscrição no tempo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo! (preceito assumido pela filosofia de Sócrates).

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A história de Íon relata a sua origem ateniense (filho de Creuta) para justificar a aliança dos atenienses com os iônios ou jônios (representado por Íon). Para Foucault, Íon precisa legitimar sua origem ateniense para que seu discurso possa ser enunciado como aquele que têm direito. Está em jogo a Parrhesía, a liberdade do dizer verdadeiro. A parrhesía de Íon é uma parrhesía política/democrática, pois Íon precisa ser aceito como cidadão ateniense pra fazer uso da palavra livre e verdadeira como condição para dirigir a cidade.

Portanto, podemos afirmar que a tragédia, embora não tenha superado totalmente a consciência trágica, retrata pela dimensão estética os anseios do logos nascente, na busca por constituir uma reflexão de autoconhecimento, do discurso verdadeiro e da legitimidade democrática em construção.